segunda-feira, 28 de junho de 2010

Histórias Fictícias vindas do Inferno Vol. 1


Aviso: O que se segue é um texto grande como o caraças. Talvez até maior, tendo em consideração que eu nunca medi o caraças. Caso padeçam de um sério défice de tolerância para grandes sucessões de frases e palavras, aconselho-vos a saírem imediatamente deste blogue. Ao contrário do que muita gente pensa, isto de ler não é para quem pode. É para quem quer.

Pouca Vergonha e Más Intenções - Um conto indecente baseado em factos surreais.

Parte I

Se foi o excesso de álcool no sangue daqueles imbecis que convidou a desgraça ou se eles já tinham nascido com uma pré-disposição natural para provocarem calamidades daquela ordem, era um mistério que eu não fazia questão de descortinar. Apesar de existir um universo de possibilidades, dei-me ao luxo de assumir que a autoria do pequeno holocausto nuclear que se tinha abatido sobre a cozinha dos meus pais estava associada a um breve acesso de estupidez espontânea, catalisado por doses monstruosas de cerveja barata. Para ser sincero, o que eu realmente seria capaz de pagar bom dinheiro para descobrir era de uma natureza inteiramente diferente.
- Alguém me consegue explicar porque é que há um imigrante moldavo a dormir no lavatório? - perguntei em voz alta, genuinamente intrigado pelos critérios que aquele desgraçado teria empregado para qualificar uma plataforma daquele calibre como o sítio ideal para se entregar ao sono.
- Deve ter adormecido enquanto tentava encontrar o caminho de volta para casa. - gracejou o único membro do sexo feminino que tinha ousado acompanhar-me até aquele trágico local.
- Sabes uma coisa Beatriz? Em outra situação qualquer, até me tinhas feito esboçar um sorriso. Mas tendo em conta que alguém abriu as Portas do Submundo nesta cozinha e que me cabe a mim destruir todas as provas de que isso aconteceu, acho que devias guardar esse tipo de comentários para ti antes que eu perca as estribeiras de vez.
- Mas é uma hipótese perfeitamente plausível! Eu já tentei fugir deste país por vias mais estranhas.
E por alguma razão, isso não me surpreendia.
- Faz me um favor e vai à despensa procurar uma esfregona. Vou precisar que me ajudes a limpar este dilúvio radioactivo.
- Porquê eu?! - retorquiu a mordaz jovem de dezanove anos, visivelmente indignada pela ideia de permanecer naquele Nono Círculo do Inferno por mais um único segundo.
- Porque tu e eu somos as únicas pessoas lúcidas o suficiente para o fazer como deve ser. - pelo menos de que eu tivesse conhecimento, vistos que os restantes ou estavam no limiar de um coma alcoólico, ou enclausurados nas instalações sanitárias, possivelmente a expelir as matérias que tinham consumido ao jantar. - E porque a cozinha é o habitat natural da tua espécie. E quando me refiro à tua espécie não estou a falar especificamente de miúdas imprestáveis, mas sim de mulheres no geral.
Após um corrosivo riso forçado seguido de vários gestos obscenos, ela armou-se com uma esfregona e atou um lenço à volta do rosto de forma a cobrir o nariz, não fosse o cheiro daquele chavascal induzir-lhe uma hemorragia cerebral. Uma manobra inteligente que eu tomei a liberdade de imitar.
- Ouve o que te digo Santiago, porque eu não vou durar para sempre: quando arranjares uma namorada a sério, certifica-te de que ela não fale português porque essas gracinhas vão te custar muito mais do que um par de estalos um dia destes.
- Tem piada dizeres isso. - observei, sem dar rédeas ao meu escárnio. - Já socializamos há mais de três anos e no entanto não me lembro de ter recebido um único par de estalos da tua parte.
- Isso é porque eu não gosto de fazer rapazes chorar. Não é o meu estilo.
Optei por ficar calado durante os momentos que se seguiram.
É difícil estimar ao certo quanto tempo gastamos na restauração daquele compartimento de maneira a que ele voltasse a ficar aceitável segundo os padrões higiénicos de gente civilizada, mas tenho a certeza de que foi demasiado. O nosso maior problema agora, sem contar com a situação do moldavo, era o cheiro insuportável que se recusava categoricamente a sair por mais químicos que despejássemos naquele antro.
- Devíamos ter escolhido o caminho mais fácil e pegado fogo a isto tudo. Caso alguém começasse a fazer perguntas, sempre podíamos culpar aquele infeliz que dorme ali como se fosse o sítio mais normal do Mundo. Deus sabe que ninguém gosta de imigrantes neste país.
- Da última vez que vi, o seguro não cobre fogo posto e xenofobia.
"Caso contrário, nem pensava duas vezes" confessei no murmúrio mais inaudível que as minhas cordas vocais permitiram.
- Acho que vais querer repensar essa opção, Santiago.
O sotaque distinto do co-autor daquele crime contra a humanidade era inconfundível. E pelo grau de consistência da sua dicção, auferi que a estadia prolongada na casa-de-banho lhe tinha feito maravilhas.
- Quem é vivo sempre aparece! - declarou a Beatriz, genuinamente surpreendida pelo facto de ele ter regressado com vida. - Mas se queres que te deixemos prolongar a tua mortalidade é melhor que tenhas uma explicação minimamente aceitável para o que se passou aqui, Rui.
- E que tenhas deixado a casa-de-banho em melhores condições. - acrescentei, sem lançar um único olhar aquele animal, receando que algo de muito desagradável fosse acontecer à sua integridade física caso o fizesse naquele momento.
- Fica descansado Santiago que eu fui meigo. Ela há-de sobreviver não te preocupes.
- Tu tens mesmo muito pouco amor à tua vida, meu. - rugi ao me virar na sua direcção de punhos fechados e com todas as intenções de lhe deslocar o maxilar.
Mas antes que os meus punhos o alcançassem, ele disse uma coisa que me fez desejar estar muito menos sóbrio.
- E já agora, o moldavo não está a dormir.
Ele está morto.

Não percam o próximo episódio porque nós também não!

sábado, 26 de junho de 2010

Aquilo que Não Deveria Ser


Façam-me o favor de não ignorar o facto de eu ainda estar substancialmente longe de perder o juízo. Apenas receio que uma súbita afluência de memórias temperadas por conteúdos macabros, em sintonia com um número inconfessável de deliberações destiladas da mais subtil coerência, orquestre a perdição da minha sanidade enquanto redijo este texto. Confesso que nem se quer estou certo se este é realmente o método mais adequado para realçar a magnitude da minha perplexidade perante o desfeche dos eventos que estou em vias de vos contar. Em boa verdade, o choque a que fui sujeito no decorrer desta experiência é de tal ordem abominável e visceral que não me atreverei a descrevê-lo por palavras, mas sinto que é a minha obrigação enquanto membro da Raça prevenir-vos devidamente do risco que todos corremos, com a urgência que só boa gramática consegue transparecer. Preferencialmente antes que a minha condição se agrave ao ponto de ceifar todos os méritos das minhas faculdades descritivas.

Dúvidas pertinentes à veracidade dos factos reais e do seu cariz desumano, da forma como eu estimo moralmente correcta de os revelar, são inevitáveis. No entanto, se eu atenuasse a intensidade do grafismo das matérias aqui abordadas, que irão certamente ser percepcionadas como cruéis e doentias, esta mensagem seria um vão capricho da minha psique alterada e não uma advertência palavreada da forma mais explícita que os meus talentos permitem. A infâmia dos arquitectos responsáveis pela calamidade pública a que testemunhei será interpretada como um ponto a meu favor, pois todos aqueles dotados com os requisitos mínimos da sanidade têm consciência de que há algo de muito errado com os autores deste crime.

No fim, vou ter de confiar unicamente na vossa apreciação desta mensagem e no vigor da lógica dos seus argumentos para vos dissuadir de seguir o mesmo caminho que eu, na eventualidade de uma inclinação para sabotar a vossa integridade mental se apoderar dos vossos sentidos.

Apresento-vos agora a vil fonte de todos os meus transtornos:



Há alguns tempos atrás vislumbrei um excerto deste filme. Escusado será dizer, como já devem ter auferido, que estava estúpido, parvo e gay. Igualmente dispensável será mencionar o pormenor de esta produção ser a prole retardada de uma saga de romances que são muito possivelmente responsáveis por tudo aquilo que está errado com o mundo actualmente. Não se atrevam a gastar dinheiro para ver esta coisa no cinema. Podem-se ir embora agora.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Crises Existenciais




Há sempre alguém com um caso mais acentuado que o nosso.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Oh Lucas, anda Cá fazer um Filme se Faz Favor!


Devia ser um crime punível com pedras, paus e linguagem obscena ainda ninguém ter escrito um guião minimamente aceitável com material deste calibre:





Eu pelo menos gosto de pensar que não estou sozinho quando digo que para desenhos-animados gerados a computador já temos a nossa dose anual, cortesia das criações diabólicas em massa da autoria da Pixar com que as salas de cinema são bombardeadas todos os Verões.

Certamente há melhores formas de fazer dinheiro do que desperdiçar este capítulo da mítica saga dos sabres de luz em mais um banal videojogo destinado a miúdos de doze anos e outras criaturas desse género.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Deboche Digital



Socializar com seres humanos na vida real é coisa do passado! Afinal de contas, porque carga de água haveríamos de nos sujeitar às complicações emocionais inerentes em interagir com pessoas numa dinâmica de cara-a-cara quando o podemos fazer no conforto do nosso sofá através de uma ligação à Internet? Ninguém pode negar que o século XXI foi a melhor coisa que aconteceu aos agorafóbicos desde sardinhas enlatadas e pudins instantâneos.

De facto, a única coisa capaz de rivalizar as doses cavalares de pornografia que a World Wide Web acolhe numa base diária é a abundância obscena de redes sociais em formato virtual onde todos aqueles que alegam não viver numa gruta têm uma página de perfil:



E isto é apenas uma amostra daquilo a que eu gosto de chamar "as principais razões por detrás do declínio da produtividade juvenil quando os jogos de vídeo são incapazes de aliciar interesses alheios e não está a dar nenhum reality show na MTV."

Até os infames MMORPGS (Massive Multiplay Online Role-Playing Games para os leigos) podem servir de bares de engate se formos criativos, desconhecermos o significado da expressão "ter vergonha na cara" e soubermos o que estamos a fazer com uma câmara digital.



quarta-feira, 31 de março de 2010

Se não existissem tinham de ser Inventados


Existem três coisas capazes de captar a nossa atenção para um filme: cartazes promocionais de proporções bíblicas figurando o elenco feminino do mesmo em trajes menores, um breve conjunto de excertos da película, privilegiando várias cenas com o dito elenco feminino, montados para efeitos de divulgação sob a forma de um trailer, e finalmente, o seu título. Apesar de não ser um critério tão relevante como os seus dois antecessores, o nome de um filme não deixa de ser um factor a ter em consideração antes de decidirmos se realmente vale a pena gastar as calorias necessárias para sair dos nossos respectivos habitats naturais em rumo à sala de projecções mais próxima.

Mas há casos de filmes que foram baptizados com nomes tão sensacionalmente ridículos que nos rendemos à tentação de os visualizar, ignorado pormenores tão triviais como críticas universalmente negativas.

Este é o meu Top5 desses casos:

1. Hot Tub Time Machine



2. Zack and Miri make a Porno



3. Men who stare at Goats



4. Young People Fucking



5. Lesbian Vampire Killers



sábado, 27 de março de 2010

44 Minutos de Rock Puro, Duro e Cru




É exactamente isso que vocês estão a pensar: se o meu bom gosto musical fosse feito de morangos eu estaria a beber muitos batidos neste momento. E sim, é verídico, os Scorpions lançaram o seu décimo sétimo álbum de estúdio.

Dá pelo nome de Sting in the Tail, é estupidamente bom, não precisam de me agradecer por vos ter chamado a atenção à sua majestosa existência e agora pelo amor de alguma coisa façam um favor a vocês mesmos e oiçam-no do princípio ao fim.

É tudo por hoje.



Alguém me consegue explicar como é que uma banda alemã com mais de 45 anos ainda é capaz de compor uma "malha" deste calibre? E como se isso não bastasse nem se quer é a melhor do repertório do disco!

terça-feira, 23 de março de 2010

Quando a Vida Real fica demasiado Aborrecida



Todos os Homens são surpreendentemente destros no que toca a métodos criativos para ocupar os seus tempos livres. Muitos de nós são capazes de ficar a olhar fixamente para um ecrã de televisão durante noventa minutos seguidos, antecipando ansiosamente o resultado final de uma partida daquilo a que eu gosto de chamar "A actividade física mais irrelevante para os meus interesses de todos os tempos" (mais popularmente conhecida como Futebol), um desporto que consiste estritamente em pontapear uma bola de couro de um lado para outro dentro de um campo rectangular até um sujeito trajado às riscas anunciar, através do seu fiel apito, que já está farto daquela merda e que quer ir para casa. Outros albergam uma paixão desmedida por veículos motorizados de todas as formas e tamanhos, ignorando completamente o facto de eles terem sido originalmente concebidos para transportar pessoas e não para serem admirados ou idolatrados. Um escasso número de nós ainda se preocupa em interagir com outros seres humanos, porém mesmo dentro dessa minoria há uma facção que padece do mau gosto de preferir a companhia do sexo masculino à imensamente mais interessante companhia do sexo feminino. Mas independentemente de orientações sexuais, todos nós temos uma coisa em comum: adoramos jogos de vídeo.

Lamentavelmente é verdade: tal como todos os outros organismos multi-celulares da minha espécie, eu desperdiço horas inteiras da minha vida em realidades virtuais com uma regularidade e consistência dignas de um relógio suíço. Porquê? Porque matar pessoas na vida real é um delito punido pela lei penal e há alturas em que é a única coisa que me apetece fazer. E também porque às vezes simplesmente quero vestir a pele de um cavaleiro de armadura reluzente e salvar uma donzela com um decote generoso das garras de um dragão capaz de produzir napalm natural na sua garganta.

Felizmente não sou o único. Acho eu.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sonhos e aspirações de uma Mente Depravada


Devido a motivos que insistem em permanecer inconfessáveis, hoje decidi deixar a minha falta de consideração pelas vossas susceptibilidades respirar e dar-vos a conhecer as minhas mais íntimas e insaciáveis ambições. Porém, como ultimamente tenho padecido de um sério défice de poderes descritivos, temo que o que se vai seguir consiste lamentavelmente numa parafernália de imagens, provenientes das profundezas da Internet, que tomei a liberdade de seleccionar para ilustrar os desejos imoderados de glória em questão.

E agora, sem mais cerimónias, vou começar pela primeira coisa que me veio à cabeça quando decidi abordar este tema:

Ser o orgulhoso dono de um elegante mamífero digitígrado, da ordem dos Felídeos, propriamente domesticado.



Comprar esta t-shirt.



Dar asas ao meu lado mais artístico.



Apertar a mão deste cavalheiro.



Oferecer isto ao Marylin Manson como prenda de anos.



Arranjar uma cópia deste CD.



Ser recrutado por um gang de rua (daqueles mesmo maus como as cobras).





Aprender com o Mestre.



Solucionar esta questão.



Amavelmente exemplificar o que acontece quando me vêm dizer que sou parecido com o Edward Cullen.



Mascarar-me como deve ser no Carnaval.



Tornar-me no maior mestre de Pokemons de todos os tempos.



terça-feira, 16 de março de 2010

Maravilha do Mundo Moderno Nº99



Um Blogue com Banda Sonora.

Escuso dizer que está fenomenal.

(Fui eu que a escolhi)



1. ACDC- Shoot To Thrill
2. Salute Your Solution By The Raconteurs
3. Suspicious Character By The Blood Arm
4. Guns N Roses- Sympathy For The Devil
5. Iron Maiden-2 Minutes To Midnight
6. Wolfmother - Dimension
7. Right In Two By Tool
8. Jon Oliva's Pain - The Dark
9. JET - Rip It Up
10. Cherry Lips By Garbage
11. Fever By Peggy Lee
12. Rick James & Ike Turner - Love Gravy
13. GLORIA JONES- "TAINTED LOVE"
14. Emilie Autumn - Gentlemen Aren't Nice
15. Glory Box By Portishead
16. Down In Mexico - The By Coasters
17. Michael Buble Spiderman Theme
18. À Tout Le Monde By Megadeth
19. Far Gone Now By Vaya Con Dios
20. Muse - Feeling Good

quinta-feira, 11 de março de 2010

Há dias em que só me apetece "encher chouriços"


Ultimamente tenho estado a considerar palavras que começam com a letra S.

Sequela - Obra cinematográfica ou literária cuja história ou enredo serve de continuação a uma anterior (ex.: está previsto que a sequela deste filme vai transportar as nossas mentes para outra dimensão e mudar o rumo das nossas vidas permanentemente).



Sanidade - Qualidade do que é são.



(Algo que este cavalheiro nunca deve ter ouvido falar)

Sinfonia - Reunião de vozes ou sons; harmonia.



segunda-feira, 8 de março de 2010

Um bitoque bem servido.




As expectativas eram altas. A antecipação ameaçava tornar-se palpável. A estreia da última criação de Tim Burton era o grande acontecimento da semana e não havia tempo para discussões. Até mesmo comprar um balde de pipocas acompanhado de 33 cl. de Coca-Cola estava fora de questão.

E após deleitar os meus olhos com aquilo que só pode ser descrito como um exuberante banquete de efeitos especiais capaz de nos fazer questionar a nossa percepção do tecido da realidade, posso assegurar-vos que não saí da sala de projecções nº1 do Allegro de Alfragide arrependido por ter acabado de desembolsar uns relutantes 2,50€ extra pelo bilhete que me deu acesso ao fatídico antro; um gasto de dinheiro justificado apenas pela inclusão de um par de óculos ridículos que, para além de desafiarem todas as leis da estética e do bom gosto, permitem-nos alegadamente visionar o grande ecrã a três dimensões. Felizmente o filme não dependia desse "adereço" para agradar o seu público, vistos que a única coisa que ele acrescentou foi uma sensação mais acentuada de profundidade às imagens perfeitamente dispensável.

De facto, Alice no País das Maravilhas é uma longa-metragem de proporções bíblicas que atinge os seus ambiciosos objectivos sem estar dependente do auxílio dessas modernices desnecessárias. No entanto, e para grande desânimo meu, é um filme que não almeja ir para além do que já se esperava de uma película da autoria de Tim Burton, o que por si só, é quase imperdoável quando temos em conta todo o potencial do seu elenco (liderado por excelentes desempenhos da parte de Johnny Depp, Helena Bonham Carter e Mia Wasikowska) e os recursos colossais que estiveram à disposição do seu realizador.

Mas para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de levantar o cu do sofá para o ir ver, não pensem por um único instante que se trata de uma adaptação literal das obras de Lewis Carrol. Preparem-se antes para uma adaptação inconfundivelmente "burtoniana" dos romances do célebre escritor britânico.

A verdade é que Burton, apesar de não ter tido quaisquer crises de consciência em se servir descaradamente das inesquecíveis personagens oriundas do imaginário de Carrol, bem como de uma mão cheia de elementos chave da sua narrativa, compôs uma produção cinematográfica protagonizada por um enredo substancialmente diferente (e bastante mais sombrio) da história original que, embora francamente insípido em comparação ao que o cineasta californiano nos tem vindo a habituar, só poderia ter ganho vida através do engenho de um realizador do seu calibre. Todavia, e tendo vislumbrado o resultado final, confesso que fiquei com a ligeira impressão de que um certo alguém estava a dar voltas na sua campa desenfreadamente.

A melhor maneira de sumariar a essência do filme é através do recurso a uma comparação: A Alice no País das Maravilhas de Tim Burton é exactamente como um bitoque bem servido. Mata a nossa fome no momento em que o devoramos sem dó nem piedade, e no entanto não nos deixa completamente satisfeitos. Mas quem é que é capaz de recusar um bom bitoque?

Deixo-vos agora com uma das minhas cenas favoritas do filme para aguçar o vosso apetite.



Apesar de não dizer um único enigma durante o filme inteiro, o Gato de Cheshire a la Burton para além de ser a adaptação mais original do felino fictício até hoje, é também sem sombra de dúvida o gato gerado a computador mais charmoso que alguma vez vi.

sábado, 6 de março de 2010

Alfred Hitchcock




Ele era um amor de pessoa.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Simplesmente Genial.




E surpreendentemente educacional.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma Recomendação a ter em Consideração


Não é com frequência que me apanham a ler um livro. Não é com frequência que me deleito a ler um livro. Não é com frequência que recomendo um livro com mais de trezentas páginas de conteúdo, no sentido prático de interpretar o que nele foi escrito (a maior parte das minhas recomendações literárias vem de mãos dadas com intuitos de teor estético) e certamente não é com frequência que me dou ao trabalho de justificar os meus motivos para favorecer uma obra em particular com as minhas palavras. Portanto é melhor prestarem atenção ao que vou de seguida anunciar:


Este livro foi a melhor coisa que já aconteceu ao universo da literatura fantástica desde a impressão em série dos manuscritos de John Ronald Reuel Tolkien. Comprem-no. Leiam-no (mais do que uma vez se for realmente necessário). Ergam um santuário pagão para venerar o seu autor. Mas pelo amor de Deus, façam alguma coisa de interessante com ele. E depois arranjem maneira de convencer as vossas corjas a fazerem o mesmo, nem que seja só para acrescentarem um tema de conversa decente ao vosso repertório de aptidões sociais. As vossas vidas não dependem disso, mas garanto-vos que vão melhorar substancialmente se o fizerem.

Substancialmente.


terça-feira, 2 de março de 2010

Está prestes a estrear




E podem crer que eu vou lá estar.

Nem que o Inferno tenha que congelar.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Inspiração na Indignação.


Estou irritado.
Irreversivelmente frustrado.
Sobrecarregado com raiva e completamente danado.
Já nem sei para onde me virar e isso deixa-me desconcertado.
Há alturas em que a vida não corre de todo como planeado.
Por favor livrem-me deste cabo dos trabalhos desgraçado.

"Acalma-te e respira fundo."
De facto isto ainda não é o fim do mundo,
e recuso a render-me à adversidade como um moribundo.

Desde que não me confisquem os artifícios modernos,
deixem-se de formalidades e libertem os Nove Infernos!
Quando a vontade não é pequena vencemos tudo aquilo que quisermos.




"Iika, Simon. Wasuren na. Omae wa shinjiro. Omae ga shinjiro ore demo nai. Orega shinjiro ore demonai. Omae ga shinjiru... OMAE WO SHINJIRU!"


(Só pessoas extremamente fixes é que vão perceber esta última parte)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eu só queria dizer que...


Estimo de muito mau gosto quando as pessoas nos fazem desperdiçar tempo. Particularmente no que diz respeito à blogosfera, ao redigirem textos privados de qualquer relevância para os nossos interesses nos insípidos 'diários digitais' a que têm o atrevimento de chamar de blogues. Caso esteja a ser demasiado críptico, refiro-me a todas aquelas manifestações linguísticas dolorosamente monocórdicas de proporções francamente despropositadas que circulam pela Internet sob a designação de posts, sem que ninguém tenha o bom senso de notificar as autoridades competentes da sua existência. Uma existência que devia ser urgentemente ilegalizada, tendo em conta que estes posts resumem-se essencialmente em dissertações ricas em futilidades, mas muito pobres em temas dignos de ser abordados.

Odeio solenemente alcançar o fim de um post e chegar à conclusão de que ele não contribui rigorosamente nada para a minha gratificação pessoal. E como se isso não bastasse, também foi um desperdício de tempo inqualificável. Só de me recordar dos minutos valiosos que poderiam ter sido aproveitados para me dedicar a algo de minimamente produtivo em vês de estar a ler blogues fico mal disposto. Detesto, alias, abomino perder o meu tempo com banalidades sem interesse nenhum.

Exactamente como eu acabei de vos fazer perder agora.



E com isto fiquei subitamente com uma enorme vontade de ir à casa de banho.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Dois Dedos de Poesia numa Manhã de Agonia



Em plena glória matinal, ergui-me do meu leito
gritando obscenidades ao malcriado do despertador,
que não produziram qualquer efeito.
Como não tenho o hábito de adoçar o meu fervor,
a uma fúria indomável ele ficou sujeito.
Talvez da próxima não subestime a ferocidade do meu clamor
e aprenda que eu não tolero o mais pequeno desrespeito.

Mas para ser sincero, nunca tive fama de grande madrugador.
A culpa não é minha, é das horas a que me deito.
Espero que não se esqueçam desse pormenor na minha biografia.
Raios partam Anatomofisiologia*.



*: Para aqueles que padecem de baixos níveis de perspicácia, foi essa a cadeira que me fez acordar cedo esta fatídica manhã. Claro que se não chegaram a essa simples conclusão pelos méritos do vosso raciocínio implica que têm um Q.I. abaixo de 30.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homens Loucos



Eu podia perfeitamente explicar vos porque é que esta série é uma das melhores produções que alguma vez se destacou nos horários nobres da Televisão de calibre transcontinental. Eu podia facilmente escrever uma crítica extensa e meticulosa, onde muito provavelmente classificaria a sua realização como majestosa e sublime. Eu até poderia chegar ao ponto de realçar o quão excepcional é o seu elenco, que se distingue cada vez mais pela sua excelência nas Artes Teatrais com o passar de cada episódio, frisando as escolhas soberbas que as mentes por detrás da distribuição dos papeis fizeram. Mas não me vou dar ao trabalho.

Sabem porquê?

Porque esta é oficialmente a minha primeira entrada com dois dígitos neste blogue e não me apetece.

Mas pelo amor de Deus, saquem-na da Internet, comprem os conjuntos caríssimos de dvds, sintonizem a vossa televisão na RTP 2 nas noites de sexta-feira onde não têm a mínima intenção socializar com formas de vida alheias, visualizem-na da forma que estiver mais de acordo com a vossa disponibilidade (assumindo que lêem este blogue, ela não deve ser um recurso escasso), isso fica ao vosso critério. O que eu vos peço, para o bem de alguma estimulação na actividade dos lobos frontais do vosso cérebro, é arranjarem pelo menos uma maneira consistente de a ver.

Garanto-vos que vão acabar por me dedicar um autêntico arraial de elogios em honra do meu bom gosto por a ter recomendado.

Não consegui aliciar o vosso apetite? Então vejam este trailer.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Nove Coisas que não cabem na minha Cabeça

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1. A necessidade da Disney fazer sequelas de tudo o que se mexe.

2. Porque carga de água (sempre adorei esta expressão) é que a Stephenie Meyer, tendo claramente um Q.I. muito inferior ao meu, faz mais dinheiro do que eu.

3. A música do Kanye West.

4. Como é que é possível a Meryl Streep ainda não ter ganho pelo menos mais um Óscar desde 1982, tendo em conta que ela já foi nomeada onze vezes seguidas desde então.

5. Pessoas que escrevem "sou amigo do meu amigo" na infame subdivisão intitulada "Sobre mim" (ou como eu prefiro chamar-lhe: pormenores dolorosamente irrelevantes que ninguém se vai dar ao luxo de ler acerca da minha pessoa) dos seus perfis no Hi5.

6. Tudo o que estiver relacionado com o Kurt Cobain (incluindo a Courtney Love).

7. A razão por detrás de todos os homens da minha faixa etária considerarem a Jessica Alba o melhor naco de carne de todos os tempos.

8. O interesse em desperdiçar tempo a jogar Farmville no Facebook.

9. Este website ridículo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Citações com Segundas Intenções



Por vezes saem coisas das bocas das pessoas que só podem ser qualificadas como genuinamente extraordinárias. Tão extraordinárias de facto, que sentimos uma obrigação moral de partilhar a sua imensa sagacidade com o resto dos comuns mortais que habitam este planeta, cobiçando a eventualidade de sermos reconhecidos pela nossa aptidão de discernir aquilo que constitui uma boa sucessão de palavras.

Deixo-vos agora com oito frases que me impediram de partir para o "vale dos lençóis" esta noite antes de dar o ar de suas graças aos pobres desgraçados que frequentam este blogue (vocês).

"Aqueles que moderam o seu desejo fazem-no porque o seu desejo é fraco o suficiente para ser moderado."


William Blake


"O Tempo é um grande professor, mas infelizmente mata todos os seus pupilos."

Louis Hector Berlioz

"Insanidade em indivíduos é algo raro - mas em grupos, partidos, nações e épocas, ela é a regra."


Friedrich Nietzsche

"Argumentos devem ser evitados a todo o custo; eles são sempre vulgares e frequentemente convincentes."

Oscar Wilde

"Eu prefiro a companhia de campónios porque eles não foram suficientemente bem educados para raciocinar incorrectamente."

Michel de Montaigne


"Enfiar penas no teu cu não faz de ti uma galinha."

Tyler Durden


"A maior partida que o Diabo alguma vez pregou foi convencer o mundo de que ele não existe"

Roger "Verbal" Kint


"Hoje em dia, Portugal tem tudo em comum com o Brasil, excepto claro, a língua."

Jacques le Fabuleux Mangeur de Crêpes


sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Qual é a tua Banda Favorita?"



Chega uma certa altura nas nossas vidas em que algum malcriado se lembra de fazer esta pergunta. É inevitável. A música corre nas nossas veias, foi esculpida no nosso código genético sem que tivéssemos direito a um voto na matéria. Ela subsiste e prospera numa realidade com que somos confrontados constantemente: ninguém fica indiferente perante a música. Mas todos nós temos um paladar diferente para a saborear. É daí que surge a curiosidade que orquestra esta pergunta insolente: as pessoas preocupam-se em saber se fomos dotados com bom gosto ou não. E os juízes disso são, como já era de esperar, as preferências pessoais que lhes ditam aquilo que é agradável ou desagradável aos seus ouvidos. Sejam estas refinadas ou atrozes.

Confesso que nunca soube como responder adequadamente a esta questão. No que toca à música, os meus gostos só podem ser comparados a uma espécie de metamorfose (algo que teima em estar em constante mutação) e isso deve-se ao meu hábito de perpetuar consistentemente a longevidade dos meus horizontes musicais. Um hábito que começou por ser apenas uma cortesia da minha inclinação em ouvir coisas diferentes sempre que tenho essa possibilidade. Mas se alguma vez tive uma predilecção por algo que se assemelhasse a uma derradeira banda favorita, foi pelos Opeth.

Eis o porquê:



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Devaneios de Nostalgia



Se eu tivesse que compor uma lista intitulada "recordações mórbidas que me vêm à memória quando estou entediado ao extremo de sintonizar a televisão na Sic Radical para assistir às últimas peripécias do Son Goku na sua luta interminável contra as forças do Mal", haveria um lugar no cume reservado exclusivamente para as reminiscências do tempo em que, apenas o facto do Dragon Ball Z existir servia de pretexto para eu praticar "artes marciais da mais alta categoria" no meu irmão mais novo. Em retrospectiva, não podia ser só pelas doses cavalares de violência gratuita e os desgraçados que gritavam Kamehameha alto e a bom som que ela era tão estupidamente popular entre a minha geração. Para isso já nos bastava a vida real.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cinco dos Maiores Vilões na História do Cinema



Ao contrário da esmagadora maioria dos membros da minha faixa etária, eu não "saco" filmes. Por vezes, sou mesmo capaz de guiar as minhas pernas ao Clube de Vídeo mais próximo e desembolsar uns cobres para alugar um ou dois dvds. Há alturas em que perco a cabeça e até dou 4,50€ a troco de um bilhete de cinema!

Mas não o faço por ser apologista da filosofia de bolso por detrás daquela calamidade pública que é a curta-metragem publicitária contra o download ilegal, uma autêntica praga que infestou todas as salas de cinema do país há uns anos atrás. Eu simplesmente não fui dotado com a paciência para esperar que um filme "acabe de sacar". Também não sou apologista de correr riscos desnecessários, nomeadamente a possibilidade inerente de a qualidade da imagem não ser minimamente aprazível ao meu olhar, o que está fora de questão.

Com isto em mente, gosto de pensar que após ter conseguido sobreviver a vinte aniversários, com muitos alugueres de dvds e idas a salas de projecções no processo, tornei-me naquilo que alguns percepcionam como "apreciador de cinema". Um bom apreciador de cinema, diga-se de passagem. Um cinéfilo. E o que considero fulcral para um filme ser digno de uma crítica favorável (pelo menos da minha parte) é ter um bom antagonista.

Um bom antagonista é um elemento extremamente útil para uma película cinematográfica. Em primeiro lugar porque todas elas estão dependentes da existência de um protagonista, e ter um obstáculo a ultrapassar é a derradeira motivação de qualquer protagonista. Este obstáculo assume frequentemente uma de duas formas: uma adversidade ou um adversário. Embora não sejam raras as vezes em que um bom protagonista é todo o elenco necessário para uma narrativa adquirir um timbre aceitável de qualidade, um bom antagonista tem a responsabilidade de tornar as coisas mais interessantes. Imensamente mais interessantes.

De seguida passo a enumerar aqueles que seleccionei para figurarem no meu Top 5. Não justifiquei nenhuma das escolhas para não correr o risco de revelar pormenores demasiado importantes das personagens àqueles que ainda não visualizaram o respectivo filme. Não, é mentira, eu estava-me perfeitamente nas tintas se revelava ou não, a pachorra para o fazer é que me faltava.

5. Maléfica (Bela Adormecida)




4. O Joker de Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)




3. O Lestat de Lioncourt de Tom Cruise (Entrevista com o Vampiro)



2. Bill (Kill Bill vol. 2)



1. Tyler Durden (Fight Club)



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Arte Contemporânea

Nem ovos de supermercado estão a salvo.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Vampiros: o que raio é que lhes aconteceu?

O ano de 1973 era a nova obsessão dos calendários ocidentais, quando Anne Rice compôs o primeiro volume daquilo que estava em vias de se tornar uma sucessão de best-sellers destinados a ser lidos em todos os cantos da Terra. Refiro-me às suas inconfundíveis Vampire Chronicles (eu ainda contemplei a possibilidade de traduzir isto para Português mas ficava demasiado foleiro). O manuscrito primordial da saga, que só seria publicado três anos depois, dava pelo nome de Interview with the Vampire e viria a ser adaptado para o grande ecrã sob a forma de um modelo de excelência para os próximos filmes do seu subgénero. Com a criação e publicação deste romance, Rice alcançou um feito inédito e simultaneamente extraordinário nos domínios da literatura fictícia: vestir uma infame estirpe de criaturas de teor malévolo, dotadas da particularidade de sair das suas sepulturas à noite para se alimentar do sangue dos vivos, na pele de seres imortais excessivamente emocionais e sensíveis, capazes de contagiar qualquer homem ou mulher com a sua sensualidade, que de acordo com as palavras da eloquente escritora, cerceava o limiar do diabólico. Brilhante.

Mas antes de Rice imortalizar o seu génio nas páginas das suas obras, nunca ninguém se tinha lembrado de conferir características desta natureza em vampiros. E afinal de contas, porque é que alguém faria tal coisa? Desde tempos imemoriais que o vampirismo estava associado a predadores nocturnos implacáveis que não olhavam a meios para cravar as suas presas nos nossos pescoços. Se a única razão para eles se erguerem do túmulo era ceifar-nos a vida, valeria mesmo a pena ralarem-se com algo tão banal como lidar com uma vida amorosa?

Independentemente disso, as Vampire Chronicles proporcionavam aos seus ávidos leitores uma abordagem moderna (e recheada de sexualidade) ao mito folclórico. Fazia parte do seu charme. Até aqui estava tudo bem.

Mais especificamente, até 2005, quando a editora Little, Brown and Company decidiu publicar uma série de romances da autoria de Stephenie Meyer, actualmente descrita como um fenómeno da cultura pop: a 'quadrilogia' do Crepúsculo. Valha-me Deus.

De facto, são raras as ocasiões em que nos podemos servir de um adjectivo como 'impensável' para realçar categoricamente as proporções absurdas de um "fenómeno da cultura pop" desta ordem.

E como se não bastasse ser um plágio flagrante de todas as ideias basilares que moldaram a identidade das Vampire Chronicles, Meyer galardoou os seus vampiros com um repertório de características oriundas da sua criatividade rara. Nomeadamente a peculiaridade destes resplandecerem quando estão expostos à luz solar.

Sim. Nos livros dela, os vampiros, brilham. No Sol.

Na merda do Sol!

Aquela desgraçada até teve a audácia de justificar essa barbaridade com uma explicação perfeitamente racional!

No entanto, o que realmente consegue deixar-me fora do sério quando alguém menciona o Crepúsculo na minha presença, não é o facto de os romances de Meyer serem incapazes de inspirar algo em mim que transcenda o impulso incontrolável de os ridicularizar. Não é o facto de se tratarem de livros dolorosamente orientados para adolescentes. Não é o facto de a personagem principal da saga partilhar uma miscelânea de semelhanças sinistras com a autora. É ter a noção da quantidade impensável de pessoas que veneram cada palavra escrita nos livros dela ao expoente da loucura! É impensável que esta mulher esteja a banhar-se em rios de dinheiro pelos méritos de uma narrativa que gira a volta de vampiros que brilham no Sol! É impensável não me ter ocorrido a ideia de plagiar Anne Rice primeiro!

Igualmente impensável (e indecente) é não terem incluído Wesley Snipes no elenco de actores enquanto rodavam as filmagens para a primeira adaptação cinematográfica dos romances.



Certamente que ao desempenhar um dos papeis mais reconhecíveis da sua carreira, os cento e vinte e dois minutos do filme teriam sido muito mais suportáveis. Ouso mesmo dizer que até poderia ter valido a pena o esforço de levantar o cu do sofá para o ir ver ao cinema.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Recomenda-se Vivamente

Que se consciencializem da existência desta banda.



domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ironia de Fino Recorte

A verdade é que eu nunca gostei de blogues. Sempre os cataloguei como uma trivialidade de calibre internacional, trajada nas sedas da vulgaridade e carecida do mais ténue vestígio de originalidade. Algo digno apenas do meu escárnio, independentemente dos seus conteúdos, estivessem estes mascarados de um comentário de teor político ou de uma receita para Cozido à Portuguesa. E no entanto, os seus encantos provaram ser menos superficiais do que a minha relutância em juntar-me ao rebanho. Hoje decidi que para alcançar um vislumbre da minha realização pessoal era absolutamente essencial criar um blogue que carregasse a minha assinatura. Ninguém me obrigou; foi um capricho da minha livre e espontânea vontade. Mas confesso que existe algo de sublime no conceito de partilhar as nossas ideias e opiniões com o resto do mundo. Confesso que é reconfortante saber que as nossas palavras não estão destinadas exclusivamente ao exílio nos confins do nosso pensamento e que podem ousar ser lidas pelos nossos contemporâneos. Confesso que não tinha nada melhor para fazer com o meu tempo livre.