quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eu só queria dizer que...


Estimo de muito mau gosto quando as pessoas nos fazem desperdiçar tempo. Particularmente no que diz respeito à blogosfera, ao redigirem textos privados de qualquer relevância para os nossos interesses nos insípidos 'diários digitais' a que têm o atrevimento de chamar de blogues. Caso esteja a ser demasiado críptico, refiro-me a todas aquelas manifestações linguísticas dolorosamente monocórdicas de proporções francamente despropositadas que circulam pela Internet sob a designação de posts, sem que ninguém tenha o bom senso de notificar as autoridades competentes da sua existência. Uma existência que devia ser urgentemente ilegalizada, tendo em conta que estes posts resumem-se essencialmente em dissertações ricas em futilidades, mas muito pobres em temas dignos de ser abordados.

Odeio solenemente alcançar o fim de um post e chegar à conclusão de que ele não contribui rigorosamente nada para a minha gratificação pessoal. E como se isso não bastasse, também foi um desperdício de tempo inqualificável. Só de me recordar dos minutos valiosos que poderiam ter sido aproveitados para me dedicar a algo de minimamente produtivo em vês de estar a ler blogues fico mal disposto. Detesto, alias, abomino perder o meu tempo com banalidades sem interesse nenhum.

Exactamente como eu acabei de vos fazer perder agora.



E com isto fiquei subitamente com uma enorme vontade de ir à casa de banho.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Dois Dedos de Poesia numa Manhã de Agonia



Em plena glória matinal, ergui-me do meu leito
gritando obscenidades ao malcriado do despertador,
que não produziram qualquer efeito.
Como não tenho o hábito de adoçar o meu fervor,
a uma fúria indomável ele ficou sujeito.
Talvez da próxima não subestime a ferocidade do meu clamor
e aprenda que eu não tolero o mais pequeno desrespeito.

Mas para ser sincero, nunca tive fama de grande madrugador.
A culpa não é minha, é das horas a que me deito.
Espero que não se esqueçam desse pormenor na minha biografia.
Raios partam Anatomofisiologia*.



*: Para aqueles que padecem de baixos níveis de perspicácia, foi essa a cadeira que me fez acordar cedo esta fatídica manhã. Claro que se não chegaram a essa simples conclusão pelos méritos do vosso raciocínio implica que têm um Q.I. abaixo de 30.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homens Loucos



Eu podia perfeitamente explicar vos porque é que esta série é uma das melhores produções que alguma vez se destacou nos horários nobres da Televisão de calibre transcontinental. Eu podia facilmente escrever uma crítica extensa e meticulosa, onde muito provavelmente classificaria a sua realização como majestosa e sublime. Eu até poderia chegar ao ponto de realçar o quão excepcional é o seu elenco, que se distingue cada vez mais pela sua excelência nas Artes Teatrais com o passar de cada episódio, frisando as escolhas soberbas que as mentes por detrás da distribuição dos papeis fizeram. Mas não me vou dar ao trabalho.

Sabem porquê?

Porque esta é oficialmente a minha primeira entrada com dois dígitos neste blogue e não me apetece.

Mas pelo amor de Deus, saquem-na da Internet, comprem os conjuntos caríssimos de dvds, sintonizem a vossa televisão na RTP 2 nas noites de sexta-feira onde não têm a mínima intenção socializar com formas de vida alheias, visualizem-na da forma que estiver mais de acordo com a vossa disponibilidade (assumindo que lêem este blogue, ela não deve ser um recurso escasso), isso fica ao vosso critério. O que eu vos peço, para o bem de alguma estimulação na actividade dos lobos frontais do vosso cérebro, é arranjarem pelo menos uma maneira consistente de a ver.

Garanto-vos que vão acabar por me dedicar um autêntico arraial de elogios em honra do meu bom gosto por a ter recomendado.

Não consegui aliciar o vosso apetite? Então vejam este trailer.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Nove Coisas que não cabem na minha Cabeça

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1. A necessidade da Disney fazer sequelas de tudo o que se mexe.

2. Porque carga de água (sempre adorei esta expressão) é que a Stephenie Meyer, tendo claramente um Q.I. muito inferior ao meu, faz mais dinheiro do que eu.

3. A música do Kanye West.

4. Como é que é possível a Meryl Streep ainda não ter ganho pelo menos mais um Óscar desde 1982, tendo em conta que ela já foi nomeada onze vezes seguidas desde então.

5. Pessoas que escrevem "sou amigo do meu amigo" na infame subdivisão intitulada "Sobre mim" (ou como eu prefiro chamar-lhe: pormenores dolorosamente irrelevantes que ninguém se vai dar ao luxo de ler acerca da minha pessoa) dos seus perfis no Hi5.

6. Tudo o que estiver relacionado com o Kurt Cobain (incluindo a Courtney Love).

7. A razão por detrás de todos os homens da minha faixa etária considerarem a Jessica Alba o melhor naco de carne de todos os tempos.

8. O interesse em desperdiçar tempo a jogar Farmville no Facebook.

9. Este website ridículo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Citações com Segundas Intenções



Por vezes saem coisas das bocas das pessoas que só podem ser qualificadas como genuinamente extraordinárias. Tão extraordinárias de facto, que sentimos uma obrigação moral de partilhar a sua imensa sagacidade com o resto dos comuns mortais que habitam este planeta, cobiçando a eventualidade de sermos reconhecidos pela nossa aptidão de discernir aquilo que constitui uma boa sucessão de palavras.

Deixo-vos agora com oito frases que me impediram de partir para o "vale dos lençóis" esta noite antes de dar o ar de suas graças aos pobres desgraçados que frequentam este blogue (vocês).

"Aqueles que moderam o seu desejo fazem-no porque o seu desejo é fraco o suficiente para ser moderado."


William Blake


"O Tempo é um grande professor, mas infelizmente mata todos os seus pupilos."

Louis Hector Berlioz

"Insanidade em indivíduos é algo raro - mas em grupos, partidos, nações e épocas, ela é a regra."


Friedrich Nietzsche

"Argumentos devem ser evitados a todo o custo; eles são sempre vulgares e frequentemente convincentes."

Oscar Wilde

"Eu prefiro a companhia de campónios porque eles não foram suficientemente bem educados para raciocinar incorrectamente."

Michel de Montaigne


"Enfiar penas no teu cu não faz de ti uma galinha."

Tyler Durden


"A maior partida que o Diabo alguma vez pregou foi convencer o mundo de que ele não existe"

Roger "Verbal" Kint


"Hoje em dia, Portugal tem tudo em comum com o Brasil, excepto claro, a língua."

Jacques le Fabuleux Mangeur de Crêpes


sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Qual é a tua Banda Favorita?"



Chega uma certa altura nas nossas vidas em que algum malcriado se lembra de fazer esta pergunta. É inevitável. A música corre nas nossas veias, foi esculpida no nosso código genético sem que tivéssemos direito a um voto na matéria. Ela subsiste e prospera numa realidade com que somos confrontados constantemente: ninguém fica indiferente perante a música. Mas todos nós temos um paladar diferente para a saborear. É daí que surge a curiosidade que orquestra esta pergunta insolente: as pessoas preocupam-se em saber se fomos dotados com bom gosto ou não. E os juízes disso são, como já era de esperar, as preferências pessoais que lhes ditam aquilo que é agradável ou desagradável aos seus ouvidos. Sejam estas refinadas ou atrozes.

Confesso que nunca soube como responder adequadamente a esta questão. No que toca à música, os meus gostos só podem ser comparados a uma espécie de metamorfose (algo que teima em estar em constante mutação) e isso deve-se ao meu hábito de perpetuar consistentemente a longevidade dos meus horizontes musicais. Um hábito que começou por ser apenas uma cortesia da minha inclinação em ouvir coisas diferentes sempre que tenho essa possibilidade. Mas se alguma vez tive uma predilecção por algo que se assemelhasse a uma derradeira banda favorita, foi pelos Opeth.

Eis o porquê:



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Devaneios de Nostalgia



Se eu tivesse que compor uma lista intitulada "recordações mórbidas que me vêm à memória quando estou entediado ao extremo de sintonizar a televisão na Sic Radical para assistir às últimas peripécias do Son Goku na sua luta interminável contra as forças do Mal", haveria um lugar no cume reservado exclusivamente para as reminiscências do tempo em que, apenas o facto do Dragon Ball Z existir servia de pretexto para eu praticar "artes marciais da mais alta categoria" no meu irmão mais novo. Em retrospectiva, não podia ser só pelas doses cavalares de violência gratuita e os desgraçados que gritavam Kamehameha alto e a bom som que ela era tão estupidamente popular entre a minha geração. Para isso já nos bastava a vida real.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cinco dos Maiores Vilões na História do Cinema



Ao contrário da esmagadora maioria dos membros da minha faixa etária, eu não "saco" filmes. Por vezes, sou mesmo capaz de guiar as minhas pernas ao Clube de Vídeo mais próximo e desembolsar uns cobres para alugar um ou dois dvds. Há alturas em que perco a cabeça e até dou 4,50€ a troco de um bilhete de cinema!

Mas não o faço por ser apologista da filosofia de bolso por detrás daquela calamidade pública que é a curta-metragem publicitária contra o download ilegal, uma autêntica praga que infestou todas as salas de cinema do país há uns anos atrás. Eu simplesmente não fui dotado com a paciência para esperar que um filme "acabe de sacar". Também não sou apologista de correr riscos desnecessários, nomeadamente a possibilidade inerente de a qualidade da imagem não ser minimamente aprazível ao meu olhar, o que está fora de questão.

Com isto em mente, gosto de pensar que após ter conseguido sobreviver a vinte aniversários, com muitos alugueres de dvds e idas a salas de projecções no processo, tornei-me naquilo que alguns percepcionam como "apreciador de cinema". Um bom apreciador de cinema, diga-se de passagem. Um cinéfilo. E o que considero fulcral para um filme ser digno de uma crítica favorável (pelo menos da minha parte) é ter um bom antagonista.

Um bom antagonista é um elemento extremamente útil para uma película cinematográfica. Em primeiro lugar porque todas elas estão dependentes da existência de um protagonista, e ter um obstáculo a ultrapassar é a derradeira motivação de qualquer protagonista. Este obstáculo assume frequentemente uma de duas formas: uma adversidade ou um adversário. Embora não sejam raras as vezes em que um bom protagonista é todo o elenco necessário para uma narrativa adquirir um timbre aceitável de qualidade, um bom antagonista tem a responsabilidade de tornar as coisas mais interessantes. Imensamente mais interessantes.

De seguida passo a enumerar aqueles que seleccionei para figurarem no meu Top 5. Não justifiquei nenhuma das escolhas para não correr o risco de revelar pormenores demasiado importantes das personagens àqueles que ainda não visualizaram o respectivo filme. Não, é mentira, eu estava-me perfeitamente nas tintas se revelava ou não, a pachorra para o fazer é que me faltava.

5. Maléfica (Bela Adormecida)




4. O Joker de Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)




3. O Lestat de Lioncourt de Tom Cruise (Entrevista com o Vampiro)



2. Bill (Kill Bill vol. 2)



1. Tyler Durden (Fight Club)



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Arte Contemporânea

Nem ovos de supermercado estão a salvo.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Vampiros: o que raio é que lhes aconteceu?

O ano de 1973 era a nova obsessão dos calendários ocidentais, quando Anne Rice compôs o primeiro volume daquilo que estava em vias de se tornar uma sucessão de best-sellers destinados a ser lidos em todos os cantos da Terra. Refiro-me às suas inconfundíveis Vampire Chronicles (eu ainda contemplei a possibilidade de traduzir isto para Português mas ficava demasiado foleiro). O manuscrito primordial da saga, que só seria publicado três anos depois, dava pelo nome de Interview with the Vampire e viria a ser adaptado para o grande ecrã sob a forma de um modelo de excelência para os próximos filmes do seu subgénero. Com a criação e publicação deste romance, Rice alcançou um feito inédito e simultaneamente extraordinário nos domínios da literatura fictícia: vestir uma infame estirpe de criaturas de teor malévolo, dotadas da particularidade de sair das suas sepulturas à noite para se alimentar do sangue dos vivos, na pele de seres imortais excessivamente emocionais e sensíveis, capazes de contagiar qualquer homem ou mulher com a sua sensualidade, que de acordo com as palavras da eloquente escritora, cerceava o limiar do diabólico. Brilhante.

Mas antes de Rice imortalizar o seu génio nas páginas das suas obras, nunca ninguém se tinha lembrado de conferir características desta natureza em vampiros. E afinal de contas, porque é que alguém faria tal coisa? Desde tempos imemoriais que o vampirismo estava associado a predadores nocturnos implacáveis que não olhavam a meios para cravar as suas presas nos nossos pescoços. Se a única razão para eles se erguerem do túmulo era ceifar-nos a vida, valeria mesmo a pena ralarem-se com algo tão banal como lidar com uma vida amorosa?

Independentemente disso, as Vampire Chronicles proporcionavam aos seus ávidos leitores uma abordagem moderna (e recheada de sexualidade) ao mito folclórico. Fazia parte do seu charme. Até aqui estava tudo bem.

Mais especificamente, até 2005, quando a editora Little, Brown and Company decidiu publicar uma série de romances da autoria de Stephenie Meyer, actualmente descrita como um fenómeno da cultura pop: a 'quadrilogia' do Crepúsculo. Valha-me Deus.

De facto, são raras as ocasiões em que nos podemos servir de um adjectivo como 'impensável' para realçar categoricamente as proporções absurdas de um "fenómeno da cultura pop" desta ordem.

E como se não bastasse ser um plágio flagrante de todas as ideias basilares que moldaram a identidade das Vampire Chronicles, Meyer galardoou os seus vampiros com um repertório de características oriundas da sua criatividade rara. Nomeadamente a peculiaridade destes resplandecerem quando estão expostos à luz solar.

Sim. Nos livros dela, os vampiros, brilham. No Sol.

Na merda do Sol!

Aquela desgraçada até teve a audácia de justificar essa barbaridade com uma explicação perfeitamente racional!

No entanto, o que realmente consegue deixar-me fora do sério quando alguém menciona o Crepúsculo na minha presença, não é o facto de os romances de Meyer serem incapazes de inspirar algo em mim que transcenda o impulso incontrolável de os ridicularizar. Não é o facto de se tratarem de livros dolorosamente orientados para adolescentes. Não é o facto de a personagem principal da saga partilhar uma miscelânea de semelhanças sinistras com a autora. É ter a noção da quantidade impensável de pessoas que veneram cada palavra escrita nos livros dela ao expoente da loucura! É impensável que esta mulher esteja a banhar-se em rios de dinheiro pelos méritos de uma narrativa que gira a volta de vampiros que brilham no Sol! É impensável não me ter ocorrido a ideia de plagiar Anne Rice primeiro!

Igualmente impensável (e indecente) é não terem incluído Wesley Snipes no elenco de actores enquanto rodavam as filmagens para a primeira adaptação cinematográfica dos romances.



Certamente que ao desempenhar um dos papeis mais reconhecíveis da sua carreira, os cento e vinte e dois minutos do filme teriam sido muito mais suportáveis. Ouso mesmo dizer que até poderia ter valido a pena o esforço de levantar o cu do sofá para o ir ver ao cinema.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Recomenda-se Vivamente

Que se consciencializem da existência desta banda.



domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ironia de Fino Recorte

A verdade é que eu nunca gostei de blogues. Sempre os cataloguei como uma trivialidade de calibre internacional, trajada nas sedas da vulgaridade e carecida do mais ténue vestígio de originalidade. Algo digno apenas do meu escárnio, independentemente dos seus conteúdos, estivessem estes mascarados de um comentário de teor político ou de uma receita para Cozido à Portuguesa. E no entanto, os seus encantos provaram ser menos superficiais do que a minha relutância em juntar-me ao rebanho. Hoje decidi que para alcançar um vislumbre da minha realização pessoal era absolutamente essencial criar um blogue que carregasse a minha assinatura. Ninguém me obrigou; foi um capricho da minha livre e espontânea vontade. Mas confesso que existe algo de sublime no conceito de partilhar as nossas ideias e opiniões com o resto do mundo. Confesso que é reconfortante saber que as nossas palavras não estão destinadas exclusivamente ao exílio nos confins do nosso pensamento e que podem ousar ser lidas pelos nossos contemporâneos. Confesso que não tinha nada melhor para fazer com o meu tempo livre.