sábado, 26 de junho de 2010

Aquilo que Não Deveria Ser


Façam-me o favor de não ignorar o facto de eu ainda estar substancialmente longe de perder o juízo. Apenas receio que uma súbita afluência de memórias temperadas por conteúdos macabros, em sintonia com um número inconfessável de deliberações destiladas da mais subtil coerência, orquestre a perdição da minha sanidade enquanto redijo este texto. Confesso que nem se quer estou certo se este é realmente o método mais adequado para realçar a magnitude da minha perplexidade perante o desfeche dos eventos que estou em vias de vos contar. Em boa verdade, o choque a que fui sujeito no decorrer desta experiência é de tal ordem abominável e visceral que não me atreverei a descrevê-lo por palavras, mas sinto que é a minha obrigação enquanto membro da Raça prevenir-vos devidamente do risco que todos corremos, com a urgência que só boa gramática consegue transparecer. Preferencialmente antes que a minha condição se agrave ao ponto de ceifar todos os méritos das minhas faculdades descritivas.

Dúvidas pertinentes à veracidade dos factos reais e do seu cariz desumano, da forma como eu estimo moralmente correcta de os revelar, são inevitáveis. No entanto, se eu atenuasse a intensidade do grafismo das matérias aqui abordadas, que irão certamente ser percepcionadas como cruéis e doentias, esta mensagem seria um vão capricho da minha psique alterada e não uma advertência palavreada da forma mais explícita que os meus talentos permitem. A infâmia dos arquitectos responsáveis pela calamidade pública a que testemunhei será interpretada como um ponto a meu favor, pois todos aqueles dotados com os requisitos mínimos da sanidade têm consciência de que há algo de muito errado com os autores deste crime.

No fim, vou ter de confiar unicamente na vossa apreciação desta mensagem e no vigor da lógica dos seus argumentos para vos dissuadir de seguir o mesmo caminho que eu, na eventualidade de uma inclinação para sabotar a vossa integridade mental se apoderar dos vossos sentidos.

Apresento-vos agora a vil fonte de todos os meus transtornos:



Há alguns tempos atrás vislumbrei um excerto deste filme. Escusado será dizer, como já devem ter auferido, que estava estúpido, parvo e gay. Igualmente dispensável será mencionar o pormenor de esta produção ser a prole retardada de uma saga de romances que são muito possivelmente responsáveis por tudo aquilo que está errado com o mundo actualmente. Não se atrevam a gastar dinheiro para ver esta coisa no cinema. Podem-se ir embora agora.

1 comentários:

Liliana/Blewmethod disse...

Bem, já não suporto mais a saga Twilight.

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