segunda-feira, 28 de junho de 2010

Histórias Fictícias vindas do Inferno Vol. 1


Aviso: O que se segue é um texto grande como o caraças. Talvez até maior, tendo em consideração que eu nunca medi o caraças. Caso padeçam de um sério défice de tolerância para grandes sucessões de frases e palavras, aconselho-vos a saírem imediatamente deste blogue. Ao contrário do que muita gente pensa, isto de ler não é para quem pode. É para quem quer.

Pouca Vergonha e Más Intenções - Um conto indecente baseado em factos surreais.

Parte I

Se foi o excesso de álcool no sangue daqueles imbecis que convidou a desgraça ou se eles já tinham nascido com uma pré-disposição natural para provocarem calamidades daquela ordem, era um mistério que eu não fazia questão de descortinar. Apesar de existir um universo de possibilidades, dei-me ao luxo de assumir que a autoria do pequeno holocausto nuclear que se tinha abatido sobre a cozinha dos meus pais estava associada a um breve acesso de estupidez espontânea, catalisado por doses monstruosas de cerveja barata. Para ser sincero, o que eu realmente seria capaz de pagar bom dinheiro para descobrir era de uma natureza inteiramente diferente.
- Alguém me consegue explicar porque é que há um imigrante moldavo a dormir no lavatório? - perguntei em voz alta, genuinamente intrigado pelos critérios que aquele desgraçado teria empregado para qualificar uma plataforma daquele calibre como o sítio ideal para se entregar ao sono.
- Deve ter adormecido enquanto tentava encontrar o caminho de volta para casa. - gracejou o único membro do sexo feminino que tinha ousado acompanhar-me até aquele trágico local.
- Sabes uma coisa Beatriz? Em outra situação qualquer, até me tinhas feito esboçar um sorriso. Mas tendo em conta que alguém abriu as Portas do Submundo nesta cozinha e que me cabe a mim destruir todas as provas de que isso aconteceu, acho que devias guardar esse tipo de comentários para ti antes que eu perca as estribeiras de vez.
- Mas é uma hipótese perfeitamente plausível! Eu já tentei fugir deste país por vias mais estranhas.
E por alguma razão, isso não me surpreendia.
- Faz me um favor e vai à despensa procurar uma esfregona. Vou precisar que me ajudes a limpar este dilúvio radioactivo.
- Porquê eu?! - retorquiu a mordaz jovem de dezanove anos, visivelmente indignada pela ideia de permanecer naquele Nono Círculo do Inferno por mais um único segundo.
- Porque tu e eu somos as únicas pessoas lúcidas o suficiente para o fazer como deve ser. - pelo menos de que eu tivesse conhecimento, vistos que os restantes ou estavam no limiar de um coma alcoólico, ou enclausurados nas instalações sanitárias, possivelmente a expelir as matérias que tinham consumido ao jantar. - E porque a cozinha é o habitat natural da tua espécie. E quando me refiro à tua espécie não estou a falar especificamente de miúdas imprestáveis, mas sim de mulheres no geral.
Após um corrosivo riso forçado seguido de vários gestos obscenos, ela armou-se com uma esfregona e atou um lenço à volta do rosto de forma a cobrir o nariz, não fosse o cheiro daquele chavascal induzir-lhe uma hemorragia cerebral. Uma manobra inteligente que eu tomei a liberdade de imitar.
- Ouve o que te digo Santiago, porque eu não vou durar para sempre: quando arranjares uma namorada a sério, certifica-te de que ela não fale português porque essas gracinhas vão te custar muito mais do que um par de estalos um dia destes.
- Tem piada dizeres isso. - observei, sem dar rédeas ao meu escárnio. - Já socializamos há mais de três anos e no entanto não me lembro de ter recebido um único par de estalos da tua parte.
- Isso é porque eu não gosto de fazer rapazes chorar. Não é o meu estilo.
Optei por ficar calado durante os momentos que se seguiram.
É difícil estimar ao certo quanto tempo gastamos na restauração daquele compartimento de maneira a que ele voltasse a ficar aceitável segundo os padrões higiénicos de gente civilizada, mas tenho a certeza de que foi demasiado. O nosso maior problema agora, sem contar com a situação do moldavo, era o cheiro insuportável que se recusava categoricamente a sair por mais químicos que despejássemos naquele antro.
- Devíamos ter escolhido o caminho mais fácil e pegado fogo a isto tudo. Caso alguém começasse a fazer perguntas, sempre podíamos culpar aquele infeliz que dorme ali como se fosse o sítio mais normal do Mundo. Deus sabe que ninguém gosta de imigrantes neste país.
- Da última vez que vi, o seguro não cobre fogo posto e xenofobia.
"Caso contrário, nem pensava duas vezes" confessei no murmúrio mais inaudível que as minhas cordas vocais permitiram.
- Acho que vais querer repensar essa opção, Santiago.
O sotaque distinto do co-autor daquele crime contra a humanidade era inconfundível. E pelo grau de consistência da sua dicção, auferi que a estadia prolongada na casa-de-banho lhe tinha feito maravilhas.
- Quem é vivo sempre aparece! - declarou a Beatriz, genuinamente surpreendida pelo facto de ele ter regressado com vida. - Mas se queres que te deixemos prolongar a tua mortalidade é melhor que tenhas uma explicação minimamente aceitável para o que se passou aqui, Rui.
- E que tenhas deixado a casa-de-banho em melhores condições. - acrescentei, sem lançar um único olhar aquele animal, receando que algo de muito desagradável fosse acontecer à sua integridade física caso o fizesse naquele momento.
- Fica descansado Santiago que eu fui meigo. Ela há-de sobreviver não te preocupes.
- Tu tens mesmo muito pouco amor à tua vida, meu. - rugi ao me virar na sua direcção de punhos fechados e com todas as intenções de lhe deslocar o maxilar.
Mas antes que os meus punhos o alcançassem, ele disse uma coisa que me fez desejar estar muito menos sóbrio.
- E já agora, o moldavo não está a dormir.
Ele está morto.

Não percam o próximo episódio porque nós também não!

sábado, 26 de junho de 2010

Aquilo que Não Deveria Ser


Façam-me o favor de não ignorar o facto de eu ainda estar substancialmente longe de perder o juízo. Apenas receio que uma súbita afluência de memórias temperadas por conteúdos macabros, em sintonia com um número inconfessável de deliberações destiladas da mais subtil coerência, orquestre a perdição da minha sanidade enquanto redijo este texto. Confesso que nem se quer estou certo se este é realmente o método mais adequado para realçar a magnitude da minha perplexidade perante o desfeche dos eventos que estou em vias de vos contar. Em boa verdade, o choque a que fui sujeito no decorrer desta experiência é de tal ordem abominável e visceral que não me atreverei a descrevê-lo por palavras, mas sinto que é a minha obrigação enquanto membro da Raça prevenir-vos devidamente do risco que todos corremos, com a urgência que só boa gramática consegue transparecer. Preferencialmente antes que a minha condição se agrave ao ponto de ceifar todos os méritos das minhas faculdades descritivas.

Dúvidas pertinentes à veracidade dos factos reais e do seu cariz desumano, da forma como eu estimo moralmente correcta de os revelar, são inevitáveis. No entanto, se eu atenuasse a intensidade do grafismo das matérias aqui abordadas, que irão certamente ser percepcionadas como cruéis e doentias, esta mensagem seria um vão capricho da minha psique alterada e não uma advertência palavreada da forma mais explícita que os meus talentos permitem. A infâmia dos arquitectos responsáveis pela calamidade pública a que testemunhei será interpretada como um ponto a meu favor, pois todos aqueles dotados com os requisitos mínimos da sanidade têm consciência de que há algo de muito errado com os autores deste crime.

No fim, vou ter de confiar unicamente na vossa apreciação desta mensagem e no vigor da lógica dos seus argumentos para vos dissuadir de seguir o mesmo caminho que eu, na eventualidade de uma inclinação para sabotar a vossa integridade mental se apoderar dos vossos sentidos.

Apresento-vos agora a vil fonte de todos os meus transtornos:



Há alguns tempos atrás vislumbrei um excerto deste filme. Escusado será dizer, como já devem ter auferido, que estava estúpido, parvo e gay. Igualmente dispensável será mencionar o pormenor de esta produção ser a prole retardada de uma saga de romances que são muito possivelmente responsáveis por tudo aquilo que está errado com o mundo actualmente. Não se atrevam a gastar dinheiro para ver esta coisa no cinema. Podem-se ir embora agora.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Crises Existenciais




Há sempre alguém com um caso mais acentuado que o nosso.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Oh Lucas, anda Cá fazer um Filme se Faz Favor!


Devia ser um crime punível com pedras, paus e linguagem obscena ainda ninguém ter escrito um guião minimamente aceitável com material deste calibre:





Eu pelo menos gosto de pensar que não estou sozinho quando digo que para desenhos-animados gerados a computador já temos a nossa dose anual, cortesia das criações diabólicas em massa da autoria da Pixar com que as salas de cinema são bombardeadas todos os Verões.

Certamente há melhores formas de fazer dinheiro do que desperdiçar este capítulo da mítica saga dos sabres de luz em mais um banal videojogo destinado a miúdos de doze anos e outras criaturas desse género.